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Nessa semana no nosso blog falaremos sobre doenças do sistema cardiovascular, falaremos sobre uma inflamação no pericárdio chamada de pericardite, essa é uma inflamação do pericárdio, classificada de acordo com a composição do exsudado inflamatório: seroso, purulento, fibrinoso e hemorrágico. A pericardite aguda é mais comum que a pericardite crônica, podendo ocorrer como uma complicação de infecções, doenças imunológicas ou ataque cardíaco.

Primeiro vamos aprender um pouco sobre o pericárdio:é uma formação sacular que envolve o coração, compreendida por uma estrutura externa, fibrosa, e outra interna, serosa. Envolve também as raízes dos grandes vasos. É formado por duas membranas, uma de constituição fibrosa que envolve mais externamente o coração e grandes vasos em intima relação com as estruturas mediastinais, denominado pericárdio fibroso; e outras de consistência serosa, o pericárdio seroso, constituído por duas lâminas, as lâminas parietal e visceral.

O pericárdio fibroso é constituído de uma camada densa de faixas colágenas entrelaçadas com o esqueleto de fibras elásticas mais profundas. É uma bolsa em forma de cone, cujo ápice termina onde o pericárdio se continua com a túnica externa dos grandes vasos. Sua base está presa ao centro tendíneo do músculo diafragma, através do ligamento freno-pericárdico, um dos responsáveis em manter o coração em posição na cavidade torácica juntamente com os ligamentos esterno-pericárdicos superior e inferior.

O pericárdio seroso é constituído de duas lâminas, a lâmina parietal, externa que forra a superfície interna do pericárdio fibroso, constituindo com o último um pequeno espaço virtual, e uma lâmina visceral (ou epicárdio) que é a reflexão ao nível dos grandes vasos da lâmina parietal em direção ao coração recobrindo-o totalmente. As camadas visceral e parietal, cujas superfícies opostas são recobertas por mesotélio, acham-se separadas por um espaço potencial, a cavidade do pericárdio, e são umedecidas por uma película líquida.

O seio transverso do pericárdio é a disposição de maneira a constituir um espaço entre o tronco da pulmonar e aorta ascendente anteriormente ao átrio e veia cava superior posteriormente, onde essas estruturas são recobertas pela lâmina visceral do pericárdio seroso sendo apenas visualizadas externamente com devida ruptura do pericárdio fibroso e lâmina parietal do pericárdio seroso.

Agora falaremos da pericardite, sua causa, sintomas, precausões e tratamento.


Causas

A pericardite pode ter várias causas, algumas delas desconhecidas, mas uma das mais frequentes é a infecção. Os micro-organismos mais comuns responsáveis pela pericardite são alguns vírus, como o da gripe, e certas bactérias, como o bacilo de Koch (causador da tuberculose), os estafilococos e os pneumococos.

Noutros casos, surge como manifestação ou complicação de uma doença auto-imune, como o lúpus eritematoso disseminado ou a artrite reumatóide. Aqui, o mecanismo desencadeante do processo é a elaboração, por parte do sistema defensivo, de auto-anticorpos que reagem contra diversas estruturas do próprio organismo, como o pericárdio.

É preciso referir outras possíveis causas de pericardite como, por exemplo, traumatismos e feridas torácicas, o depósito de resíduos metabólicos no pericárdio (como, por vezes, acontece em caso de insuficiência renal), a invasão do pericárdio por tumores malignos e o enfarte do miocárdio, problema que pode complicar gravemente o diagnóstico.

Manifestações

A evolução pode ser aguda ou crónica:

Na pericardite aguda, a forma mais comum em caso de infecções virais e bacterianas, exceto a tuberculose, a doença evolui ao longo de uma a seis semanas. Na pericardite crónica, mais comum em caso de tuberculose ou de doenças auto-imunes e metabólicas, o processo pode prolongar-se durante vários meses. Em ambos os casos, a doença pode permanecer assintomática, mas acaba por se manifestar, mais tarde ou mais cedo.

O sintoma mais frequente é uma dor na zona anterior do tórax, como se fosse uma pontada, que por vezes irradia para o pescoço, para as costas e para os ombros. A dor normalmente intensifica-se quando se inspira, ao deglutir e ao tossir.

Outros sintomas associados à pericardite são a febre, com um aumento da temperatura que não deve superar os 39°C, associada a debilidade, sudação, sensação de falta de ar, dificuldade respiratória e ataques de tosse.


Complicações

A pericardite é normalmente acompanhada por um processo denominado de derrame pericárdico, que consiste na acumulação de secreções inflamatórias – e, por vezes, sangue – no espaço compreendido entre os dois folhetos que constituem o saco pericárdico, ou espaço pericárdico. Este processo, parcialmente responsável pelos sintomas habituais da pericardite, também pode originar dois tipos de complicações sérias: o tamponamento cardíaco e a pericardite constritiva.

O tamponamento cardíaco é uma doença que se produz quando, devi do a um grande volume de líquido, subitamente acumulado no espaço pericárdico, o coração não consegue contrair-se e dilatar-se com liberdade. Esta complicação, que se manifesta através de evidentes dificuldades em respirar, da pronunciada dilatação das veias do pescoço e do inchaço dos membros inferiores, é mais comum quando a pericardite é provocada por bactérias produtoras de pus, doenças metabólicas e tumores malignos.

A pericardite constritiva corresponde ao progressivo engrossamento e endurecimento do pericárdio provocado por uma inflamação prolongada, sendo mais frequente na pericardite tuberculosa.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico é elaborado com base nos antecedentes do paciente, nas características dos sintomas e mediante um exame físico, sendo confirmado através de vários exames auxiliares de diagnóstico, como a radiografia ao tórax, o eletrocardiograma e o eco cardiograma. Muitas vezes, em caso de suspeita de infecção bacteriana, para determinar o agente causador, extrai-se através de uma punção torácica uma pequena amostra do líquido acumulado no espaço pericárdico, que posteriormente é analisado ao microscópio no laboratório.

O tratamento varia significativamente, segundo a causa responsável pela doença, a sua forma de evolução e a eventual presença de complicações. Por exemplo, em caso de pericardite viral, o tratamento consiste basicamente em repouso e na administração de medicamentos anti-inflamatório e anti-piréticos até que os sintomas diminuam de intensidade. Por outro lado, a resolução de uma pericardite provocada por bactérias passa pela prescrição dos antibióticos mais eficazes para combater os micro-organismos causadores. Embora, muitas vezes, a doença não necessite de grandes medidas terapêuticas, nos casos mais graves, ou sempre que surja alguma complicação, pode ser necessária a hospitalização do paciente. Perante o derrame de pus e em casos de tamponamento cardíaco, normalmente recorre-se a uma técnica conhecida como pericardiocentese, que consiste na punção do líquido acumulado no espaço pericárdico, através de uma agulha que se introduz na parede torácica. O tratamento da pericardite constritiva passa, normalmente, pela prescrição de medicamentos que melhorem a função cardíaca e, caso seja necessário e possível, recorre-se a uma intervenção cirúrgica conhecida como pericardiectomia, que consiste na extração do pericárdio.

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